sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago

Estava eu no meu único dia de sono prolongado quando minha mãe abre a porta do quarto: “Ju, você tá com a TV ligada? Aquele escritor que você gosta morreu!”
Dei um salto da cama e liguei a TV para confirmar a notícia. Sim, estava ali na parte inferior da tela “morre, aos 87 anos, o escritor português José Saramago”, não consegui conter uma gotinha escorrendo no canto do olho direito.
Fiquei pensando no que poderia fazer para prestar uma singela homenagem, afinal de contas nosso caso de amor dura há pelo menos 12 anos!
Conheci o escritor lá pelos meus 15 anos numa aula de português. Íamos ter um feriado longo e a tarefa foi ler Ensaio Sobre a Cegueira e entregar uma resenha sobre o livro. Depois de criticar o preço do livro, minha mãe o comprou e fomos para a praia. Passei o dia todo da sala para o quarto, do quarto para a rede… com o livro nas mãos e só parei quando completei aquelas 312 páginas. Lembro perfeitamente que fechei o livro e fiquei em silêncio pensando em cada palavra usada, perguntando-me por que ele só usava pontos e vírgulas, como ele teria pensado em tudo aquilo? No dia seguinte li novamente no intento de apreender mais coisas que não havia apreendido na primeira leitura.
Depois desse primeiro contato, foi paixão à primeira vista! Quem sabe ele foi o culpado por eu ter escolhido cursar Letras, culpado também por eu ter esse olhar que tenho hoje, afinal de contas, a literatura nos faz mudar o olhar sobre o mundo.
Enfim… como parte do que sou hoje, é uma honra poder dizer que esse escritor português teve um papel importante na minha vida, e é com essa culpa que faço a humilde homenagem ao José Saramago, pois creio que a proposta de um escritor é de poder perturbar, fazer pensar os seus leitores, e se essa era a ideia do Saramago, comigo funcionou direitinho!

Na foto alguns dos seus livros, todos maravilhosos! E o Ensaio Sobre a Cegueira onde está? Está com uma amiga minha… espero sinceramente que cause nela o mesmo efeito que causou em mim.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

sobre literatura

"Hoje, se me pergunto por que amo a literatura, a resposta que me vem espontaneamente à cabeça é: porque ela me ajuda a viver. Não é mais o caso de pedir a ela, como ocorria na adolescência, que me preservasse das feridas que eu poderia sofrer nos encontros com pessoas reais; em lugar de excluir as experiências vividas, ela me faz descobrir mundos que se colocam em continuidade com essas experiências e me permite melhor compreendê-las. Não creio ser o único a vê-la assim. Mais deusa e mais eloquente que a vida cotidiana, mas não radicalmente diferente, a literatura amplia o nosso universo, incita-nos a imaginar outras maneiras de concebê-lo e organizá-lo. Somos todos feitos do que os outros seres humanos nos dão: primeiro nossos pais, depois aqueles que nos cercam; a literatura abre ao infinito essa possibilidade de interação com os outros e, por isso, nos enriquece infinitamente. Ela nos proporciona sensações insubstituíveis que fazem o mundo real mais pleno de sentido. Longe de ser simples entretenimento, uma distração reservada às pessoas educadas, ela permite que cada um responda melhor à sua vocação de ser humano."
A Literatura em Perigo, T. Todorov - ed. Difel/09 p.23-24
 
Na aula de hoje o Paulo Venturelli escreveu esse trecho do Todorov e disse que era para refletirmos... não sei se é porque o curso está acabando finalmente, ou se através desse texto eu finalmente me achei em vários sentidos, o que interessa é que achei perfeito! Enjoy!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Bloomsday!

Aos amantes de literatura... hoje é comemorado o Bloomsday!

O Bloomsday é um feriado comemorado em 16 de junho na Irlanda em homenagem ao livro Ulisses, de James Joyce. É o único feriado em todo o mundo dedicado a um livro, excetuando-se a Bíblia.
O Bloomsday é comemorado na Irlanda e pelos amantes da literatura com diversos eventos oficiais e não oficiais. Também é comemorado todos os anos em vários lugares e em várias línguas. Em comum entre os muitos dedicados entusiastas e simpatizantes envolvidos nestas comemorações há o esforço por relembrar os acontecimentos vividos pelos personagens de Ulisses pelas dezenove ruas da cidade de Dublin.
Ulisses relata a odisséia do personagem Leopold Bloom durante 16 horas do dia 16 de junho de 1904 e é considerada um dos marcos da literatura contemporânea ocidental.
Há certa controvérsia sobre quando o Bloomsday começou a ser de fato comemorado. Alguns especialistas indicam 1925, três anos após o lançamento do livro, outros que foi na década de 1940, logo após a morte de James Joyce, enquanto a hipótese mais aceita indica que foi em 1954, na data do quinquagésimo aniversário do dia retratado em Ulisses.
Hoje o Bloomsday é uma efeméride inserida no calendário cultural de vários países que não é nem um pouco restrita ao círculo dos leitores das cerca de 900 páginas da obra Ulisses. É uma festa que pode acontecer em qualquer lugar onde se leia ou se discuta James Joyce e o Ulisses.
Texto extraído da Wikipédia 

Em Curitiba, está sendo comemorado no 11º da reitoria da UFPR, o evento começou às 14h e vai até às 18h30 + ou -... podendo ser prolongado para algum lugar com cerveja irlandesa!

Eu não sou fã da Wikipédia, mas até que explicou direitinho o que é esse dia =]


segunda-feira, 14 de junho de 2010

Leite Derramado

Preu não me sentir sozinha enquanto escrevo o trabalho sobre romance histórico, vai uma resenha que fiz sobre o livro...


Leite Derramado, Chico Buarque
 
Juliana Cristina da Silva

 
            Eulálio Montenegro D`Assumpção (sem pronunciar o “p” mudo para não causar deboche) é o protagonista do novo romance de Chico Buarque, Leite Derramado, publicado pela Companhia das Letras.
            Este senhor com pouco mais de 100 anos, encontra-se em um leito de hospital, de onde narra suas memórias e pensamentos, nem sempre cronológicos, seja porque sua memória já o confunde ou por estar sob efeitos dos medicamentos, por isso muitas vezes na obra aparece: “Não sei se já lhes contei alguma vez como conheci Matilde na missa do meu pai...”; as pessoas para quem ele conta os fatos são as enfermeiras, sua filha ou apenas divagações.
            Dentro desse emaranhado de pensamentos e lembranças nos damos conta de aspectos da história do Brasil, dos acontecimentos na sociedade do Rio de Janeiro do século passado, falar em francês na presença dos empregados, por exemplo, e até mesmo feitos dos familiares desse ancião na Europa. A partir do “quebra-cabeça histórico” apresentado, podemos encontrar referência à vinda da família real portuguesa, com a qual veio o seu trisavô, à belle épóque, à Segunda Guerra Mundial, à quebra da bolsa de Nova Iorque e à ditadura militar. Todos esses fatos nos são narrados para lembrar da importância do seu sobrenome perante a sociedade que aos poucos, com a vinda dos netos, bisnetos e tataranetos vai tornando-se cada vez menos importante, pois antigamente era um sobrenome que lhes abriam portas e agora no presente não influencia em mais nada.
            Chico Buarque, através do apanhado de informações, faz uso muito refinado da linguagem, usando flash-backs não-lineares, confundindo o leitor e inserindo a temática do racismo com sutileza, como por exemplo a Matilde que é descrita como “a mais escurinha das irmãs” ou o seu desejo sobre o seu colega filho de escravo.
            Sob meu olhar de leitora, este romance está próximo ao Budapeste, com histórias e personagens diferentes, claro, mas com uma certa aproximação na vida das personagens, ambos estão “perdidos”, ou melhor, em algum tipo de decadência, e próximo também ao Estorvo, pela descrição das cenas no Rio de Janeiro. Quanto à forma da linguagem, certamente Chico Buarque cresceu muito neste, Leite Derramado, pois ele consegue prender o leitor durante toda a narrativa, talvez pela empatia que o velho Eulálio nos causa ao contar sobre sua amada Matilde, mas principalmente pelo primor da escrita, na maioria das vezes parecendo fluxo de consciência, e aí está o primor da obra, Chico consegue fazer uso da linguagem como poucos, prendendo e confundindo o leitor na narrativa, mas sem que ele tenha se perdido ao elaborar a obra.
            Com as características apontadas sobre traços históricos, outro traço que podemos destacar na obra é o traço psicológico do protagonista, a partir das descrições e lembranças dele, é possível analisar a falta que fez uma estrutura familiar, o quanto o deixou perdido as viagens com o pai para a Europa e a aproximação das moças nas sofisticadas suítes dos hotéis, conhecer a neve das montanhas etc. Creio que também o que marca psicologicamente o protagonista é a presença/ausência de Matilde, presente sempre em suas memórias, mas ausente a partir de alguns acontecimentos e é quando Eulálio relembra da amada que seus pensamentos se confundem.
            Vale a pena dedicar alguns momentos para conhecer melhor esse velho saudosista e se perder entre as palavras derramadas nesse novo romance do Chico Buarque.


segunda-feira, 7 de junho de 2010

sobre fotografia

alegria - joy

Tirar fotos é prender a respiração quando todas as faculdades convergem para a realidade fugaz. É organizar rigorosamente as formas visuais percebidas para expressar o seu significado. É pôr numa mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração.”
Henri Cartier-Bresson

domingo, 6 de junho de 2010

Dia do Reclame!!!!!

Seguindo a ideia da Moni, vou fazer de segunda (07.06) o dia do Reclame também!
Moni! Apoiada sua ideia!

Aguardem os reclames!

sábado, 5 de junho de 2010

devaneios....

... hoje passei a tarde escrevendo a monografia, nem acredito que o pior já passou, ainda tenho os arremates, mas ufa!
Bem... queria escrever tanta coisa, mas no fundo não queria divulgar para o espaço cibernético e também para quem quero escrever não cabe aqui... enfim... muita coisa tem passado pela caixola, pelo cuore, pelas borboletas no estômago e não tem sido nada fácil... altos ataques de histeria, coisas acontecendo à noite, tremedeira, enfim... só posso escrever uma coisa: _ você tinha razão sobre as drogas (acho que só ele vai entender isso, hehe), não posso ficar sem elas!
whatever... quem sabe um dia a neblina vai embora e tudo fica bem de novo...